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Conferência Anbima Cetip de Renda Fixa

BNDES estuda remodelar formato de financiamento de longo prazo

Publicada em 20/09/2016 - 18:32

As mudanças em estudo que devem levar o BNDES a reduzir gradualmente sua participação nos projetos de financiamento de longo prazo, foram detalhadas pelo superintendente da área financeira do banco, Selmo Aronovich, durante a Conferência de Renda fixa ANBIMA Cetip. Limites para a exposição do banco ao risco dos projetos, tratamento diferente para financiamentos de novos projetos (greenfield) ou daqueles já em funcionamento (brownfield) e estratégias para estimular o mercado secundário foram alguns dos itens debatidos no painel “Financiamento privado de longo prazo – o mercado como solução para os desafios de funding das empresas”. Em pauta, está a possibilidade de que o BNDES só coloque recursos nos chamados greenfield. “Existem alternativas, como o banco reduzir o uso da TJLP em projetos de brownfield ou mesmo sair totalmente deles, colocando recursos apenas quando forem plantas novas, por exemplo, mas isto está em análise. Não posso adiantar”, comenta Aranovich.

O sócio responsável pela área de Distribuição de Renda Fixa do BTG Pactual, Cristiano Cury, abriu os debates mostrando o cenário dos financiamentos de longo prazo, com participação elevada do banco estatal. Dados de 2015 mostram o volume no estoque de financiamentos dos projetos, com investimentos totais de R$ 27,2 bilhões, sendo R$ 9,6 bilhões em capital próprio e R$ 17,7 bilhões em dívida. “Se olharmos o pipeline de concessões dos últimos dois, três anos, ainda não realizados, são mais R$ 30 bilhões a R$ 40 bilhões por ano, com demandas principalmente dos setores de transporte e logística e energia”, diz Cury. “Mas sabemos do processo de mudança no BNDES, ele é importante para abrir espaço para que o mercado de capitais avance como financiador de longo prazo”, diz o executivo destacando o volume elevado de pessoas físicas como investidores nas debêntures incentivadas, o que tem sido muito importante para elevar o giro do papel no mercado secundário. No ano passado, 78% dos investidores neste tipo de debênture eram pessoa física.

Selmo Aronovich, do BNDES, falou sobre a implantação de uma nova política no banco estatal, definida pelas novas diretrizes do governo federal. “Vamos calibrar nossa atuação, reduzindo o teto de participação com TJLP, e também deixando de fazer parte dos empréstimos-pontes, que muitas vezes causavam um desgaste enorme, com projetos que não se sustentavam”, comenta Aronovich. Marcos Guidoti, diretor-executivo de Finanças da EcoRodovias, demonstrou preocupação com essa possibilidade. “Nossos projetos já espelham a necessidade de buscar maior suporte do mercado de capitais, mas alguns projetos ainda precisam de empréstimos-ponte. Se o BNDES não fizer parte, precisamos saber quem entrar com recursos neste momento do projeto, em seu começo”, questiona. “O início de um projeto também precisa ser financiado.”

O superintendente do BNDES também falou do esforço do banco para compartilhar os riscos do projeto e para estimular o mercado secundário. “Estamos ainda avaliando a possibilidade de o BNDES reforçar o giro de posições, comprando papéis na oferta primária e colocando no secundário. É um estudo em curso e estamos abertos a discussões”, explica Aronovich. Para estimular o mercado de debêntures subordinadas, outra opção destacada pelo executivo seria o BNDES atuar como âncora, subscrevendo uma parte destes papéis.

O vice-presidente executivo do Banco ABC Brasil, José Eduardo Laloni, elogiou outra iniciativa do BNDES, dentro das mudanças em curso, de atuar como uma espécie de supervisor dos projetos. “O banco tem uma vantagem em relação aos demais players do mercado de capitais. Ele é como um selo que atesta a qualidade do projeto, assim dividir o risco de um projeto que o BNDES está acompanhando é excelente”, elogia Laloni.

Outro tema importante, debatido no painel, diz respeito às alternativas para atrair o investidor estrangeiro e algumas dificuldades foram apontadas. “Há questões de proteção que afetam o estrangeiro, como a tributação e o fato de a receita das empresas de infraestrutura serem em reais, fatores colocados na conta”, diz Laloni, do ABC Brasil, lembrando que fazer hedge no Brasil é muito caro. Cristiano Cury, do BTG Pactual, questiona se uma dolarização parcial das tarifas seria aceitável, para reduzir o risco do investidor estrangeiro nos projetos. “(Uma tarifa) talvez 5% ou 10% dolarizada já ajudaria a atrair recursos de fora”, diz. Mayte Albuquerque, diretora de Finanças e RI da EDP Energias do Brasil, lembrou que no setor de energia isto já ocorre. “Uma parte das tarifas já conta com o peso do dólar, por exemplo, de quem usa carvão importado e há repasse para os preços. Já existe um precedente”, diz, lembrando também que é preciso baratear o custo do hedge no País.

 

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