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Conferência Anbima Cetip de Renda Fixa

Inovação disruptiva impõe desafios ao mercado financeiro

Publicada em 20/09/2016 - 18:59

O debate sobre inovação disruptiva e mudanças estruturais jogou foco nas tendências e desafios a serem enfrentados pelas companhias do setor financeiro durante painel realizado na Conferência ANBIMA Cetip de Renda Fixa, realizada nesta terça-feira, em São Paulo. Ronaldo Lemos, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS) e integrante dos programas Navegador e Estúdio i da Globonews, destacou a crescente relevância das fintechs (startups financeiras) nos Estados Unidos. Segundo ele, no ano passado, os investimentos em fintechs realizados no mercado norte-americano foram de US$ 19 bilhões. Há cinco anos, era US$ 1,8 bilhão – o que mostra como esse mercado está em expansão. “Existem algumas tendências claras, que são estruturantes, como mudanças no processo de automação, inteligência artificial e o uso de algoritmos para tomada de decisões”, comentou Lemos, citando também a economia compartilhada e o desenvolvimento de plataformas blockchain.

O vice-presidente de software da HP Enterprise, Ailton Santos, destacou novos paradigmas que terão de ser enfrentados pelas empresas. “Hoje, discutimos se o capital ainda é relevante como barreira de entrada, o que significa disrupções importante para a teoria econômica”, explicou o executivo. “A economia das ideias é o que vale neste universo, é ela que vai prosperar e não o capital.”

Para Scott Riley, ex-diretor fundador da Chi-X Europe (atualmente BATS), a disrupção não será um evento e sim um processo, em especial no mercado financeiro. “Bancos mudam o tempo todo, novos meios de fazer transação vão surgir, mas a intermediação continuará”, avalia Riley.

Santos, da HP, acredita que os bancos tendem a criar plataformas paralelas para enfrentar as fintechs. “Eles preferem deixar o negócio como está e criar outro ambiente para atuação, em paralelo, com cara de fintech”, diz, lembrando que a inovação sempre foi endógena, mas que agora vem de fora e exige outra postura. “As empresas têm de coletar a inovação fora, por isto o interesse em participar de encubadoras e de atrair os desenvolvedores para perto.”

Thiago Alvarez, fundador e CEO do Guia Bolso, plataforma de finanças pessoais do Brasil com mais de 2,4 milhões de usuários, vai na mesma direção. Segundo ele, as empresas precisam acompanhar a evolução tecnológica sem medo de errar ou de canibalizar o próprio negócio. “A Amazon começou vendendo livro físico na web, depois lançou o kindle e mais recentemente começou a alugar livros, sem medo de que um modelo novo canibalizasse o outro”, lembra Alvarez.

Falando especificamente sobre concorrência entre bancos e fintechs, o fundador do Guia Bolso acredita que no Brasil são poucas as que realmente possam representar uma ameaça. “Precisa olhar uma a uma, as que realmente tem funding e que estão com negócios estruturados. Não passam de 10.”

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